Se no primeiro A Queda a gente já segurava firme nos braços da poltrona, a sequência promete testar nossos instintos de uma forma ainda mais cruel. A direção de A Queda 2: No Limite (que estreia nesta quinta, 1º , nos cinemas) agora está nas mãos dos Irmãos Spierig (Michael e Peter), e, para quem respira cinema de gênero como eu, isso muda completamente as expectativas. Acompanho a assinatura dos irmãos desde a genialidade sci-fi de O Predestinado até a atmosfera implacável de Daybreakers e Jogos Mortais: Jigsaw. A grande marca deles é focar no esgotamento mental dos personagens, o que indica que esta continuação vai muito além da acrofobia: o foco é o terror de estar encurralado na própria mente enquanto se está preso no topo do mundo.

O roteiro desta vez carrega um peso emocional e dramático muito mais palpável. A trama segue Jax Hunter, interpretada pela excelente Harriet Slater, que decide realizar uma escalada extrema em tributo à sua falecida irmã, Shiloh (a personagem de Virginia Gardner no filme de 2022, que também retorna para essa sequência). Jax acaba sendo convencida a embarcar nessa ideia arriscada por Luce, vivida por Arsema Thomas (que muitos vão reconhecer de Rainha Charlotte). O resultado desse luto levado ao limite extremo? Um deslizamento de pedras deixa as duas isoladas em uma passarela precária a mais de 3.000 pés de altura, acompanhadas pelo guia Jon Platt (Tom Brittney).

Lendo algumas críticas internacionais que já saíram, o consenso é que o trabalho de sobrevivência emocional supera o primeiro. A grande sacada dos Spierig foi construir protagonistas densas, fazendo com que o público genuinamente se importe com o trauma delas antes de jogá-las no abismo.

Eu já estou até verificando minha pontuação no Clube da Pipoca do Cinesystem para garantir um bom lugar bem no centro da sala, porque esse é o tipo de sufoco audiovisual desenhado sob medida para a tela grande.