Se você espera mais um filme de possessão ou brinquedos amaldiçoados genéricos, “Dolly – A Boneca Maldita” vai te dar um soco no estômago — e não da forma que você imagina. O longa de Rod Blackhurst, que acaba de estrear, escolhe o caminho da brutalidade física em vez dos sustos fáceis (jump scares).​

A trama acompanha Macy (Fabianne Therese), que acaba nas mãos de uma figura grotesca e perturbada que atende pelo nome de Dolly. A partir daí, o que vemos é um exercício de sobrevivência puro e bruto. O grande trunfo aqui é a estética: ao optar pelo filme em 16mm, a direção nos transporta diretamente para o cinema exploitation das décadas de 70 e 80. É um visual cru, suado e desconfortável.​

Por outro lado, o roteiro assinado por Blackhurst e Brandon Weavil é econômico, talvez até demais. Para quem busca explicações lógicas ou uma mitologia profunda sobre a origem da vilã, o filme pode frustrar. Ele se sustenta no impacto do momento e na performance física de Therese. Já Seann William Scott, embora subutilizado, entrega uma sobriedade que destoa (positivamente) do seu histórico na comédia.​

Dolly é um prato cheio para os entusiastas do gore e da estética grindhouse, mas pode afastar quem prefere um terror mais psicológico e bem amarrado. É uma experiência visual poderosa que peca pela falta de substância narrativa, mas que certamente não deixa ninguém indiferente.​

Ficha Técnica:

​Direção: Rod Blackhurst​

Elenco: Fabianne Therese, Seann William Scott, Russ Tiller.​

Gênero: Terror / Slasher / Body Horror

Duração: Aproximadamente 83 minutos.