FIB3-logo Chegamos ao último dia, leia no fim deste post considerações sobre essa edição do festival, mais antes, uma entrevista com Rogério Flausino, vocalista do Jota Quest.

P.S.: Um fotógrafo que esquece pilhas sobressalentes se equivale a um motorista que anda sem gasolina ou a um guitarrista que anda sem cordas extras. Esse idiota sou eu, que só tenho fotos do Nando Reis e do Jota Quest graças à colaboração do amigo André Rocha. Quase fui “liquidado”!

OS SHOWS

Di Boresti:

Desculpe galera, não consegui chegar a tempo para ver o show de vocês. Quem conseguiu ver, posta nos comentários para gente. Obrigado!

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Nando Reis:

Nando Reis, o bicho de goiaba que as mulheres insistentemente adoram chamar de lindo – mundo estranho não? –, pôs o FIB abaixo com um show arrebatador. O Sr. Reis colocou o frio prá correr e a platéia para dançar e se emocionar, era fácil ver as moçoilas com lágrimas nos olhos em canções como “Relicário”.

Absoluto em sua terceira passagem pelo Festival de Inverno demonstrou o porque de estar no palco do evento em sua três edições. A fabulosa apresentação mesclou canções clássicas com as novas em um set que contou com “Hi, dri”, “Espatódea”, “Drês”, “Sou Dela”, “All Star”, “Relicário”, “N” e “O Mundo É Bão Sebastião”.

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Clique nas figuras para vê-las em uma melhor resolução.

Crédito das fotos: André Rocha

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Magoo:

Excelente show, os que conhecem a banda sabe que não poderia ser diferente. A Magoo pôs todo mundo para dançar, enquanto o Jota Quest preparava para subir ao palco. Sem precedentes tocaram hits do pop rock nacional e internacional. Parabéns!

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Jota Quest:

Não acompanho o trabalho do Jota Quest desde seu terceiro álbum (oxigênio), simples assim, perdi a sincronia com a massa criativa deles. Mas como uma coisa não significa a outra, a apresentação foi ótima, com um Flausino empolgado, agradecendo por “encerrar um festival lindo, estrutura sensacional e pelo público ter vindo”! A energia que fluía do palco contagiava a platéia que retribuía com muita animação, e cantava em uníssono sucessos como: “Só Hoje”, “Encontrar Alguém”, “Além do Horizonte”, “Na Moral” e “Dias Melhores”, além das novas “Vem Andar Comigo”, o novo single “Seis e Trinta” e o hit “La Plata” que abriu o show ao som de “Besame Mucho” da mexicana Consuelo Velásquez.

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Rogério Flausino, simpático, 37, mineiro, nos recebeu para um bate papo bacana, confira:

Como você analisaria o rock dos anos 80, 90, caminho que tomou e como está hoje?

Estou a 10 dias fora de casa, fizemos 12 shows, aproveitei para ler o livro do Renato Russo, escrito pelo Carlos Marcelo. Bom demais saber sobre a época.

Os anos 80 foram uma virada magnífica. Primeira geração pós-militar (ditadura). Foi um movimento musical genial, colorido e super diverso. Tínhamos Barão Vermelho com os Rolling Stones, Os Paralamas do Sucesso com Reggae, The Police e pós-punk e Brasilia do Renato Russo punk que gostava de progressivo.

Nos 90, nossa turma também era diversa. Era o Recife com Nação Zumbi, Minas com Skank, Jota Quest e Pato Fu. No Rio, O Rappa e Marcelo D2 com composições maravilhosas. No finalzinho da parada apareceu o Charlie Brown Jr. Período fértil!

Estamos aí, no final dos anos 2000, com o problema de que cada vez temos menos bandas reveladas. Acabou a grana das gravadoras. Na nossa época contrataram a gente, o Gabriel Pensador, Planet Hemp e etc, éramos uns 15 contratados que para continuar precisávamos dar certo. Da nova safra temos a Pitty, Los Hermanos e esses meninos novos que vieram cola do CPM22 como o NX Zero.

O problema da renovação não foi a falta de criatividade, a panela está fervendo e vai explodir daqui a pouco. Esse é o momento, as gravadoras se reinventaram, os selos e sites independentes irão se profissionalizar e lançar artistas. É assim agora, o ano 2000 foi um aprendizado para todos.

A nova safra de rock será algo inimaginável, melhor do que foi nos anos 80. Por exemplo, a galera de Brasília só tinha acesso ao que os pais traziam de fora, todo mundo sabe disso e deu no que deu. A molecada antes não tinha acesso, hoje um garoto de cinco anos de idade, tem toda a informação do mundo através da internet. O que esse menino será com 15 anos? Vai aparecer muito Renatinho Russo, Cazuza e etc. Os Los Hermanos mesmo, são caras avançados para a época.

Brasília ainda é a cidade do Rock?

Aquele momento não vai voltar nunca mais, assim como a cena de Belo Horizonte que botou Sepultura no mundo. São outros tempos. A energia de Brasília continua existindo, mas se misturou, camuflando com todos os outros movimentos no Brasil.

O Brasil e a população cresceram demais. Brasília não é mais, assim como São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte também não é mais, nenhum lugar mais é porra nenhuma. É uma mistura geral.

A gente tem uma história com Brasília que é fantástica, o último show que fizemos aqui (21/04/09) foi um dos mais importantes da nossa vida.

Como está a recepção de La Plata, o álbum e a turnê?

Lançamos o La Plata em novembro e estamos indo bem nos shows. No lançamento começou todo mundo assustado depois a coisa virou. A gravadora queria que começássemos com uma balada, daí dissemos não. Perguntaram porque fazíamos a coisa da forma mais difícil, nossa resposta é que não é bem assim, existe um conceito, uma idéia e não uma música à toa, ela é tão importante que é o nome do disco. Essa é a música!

O que ia aconteceu é que o álbum saiu no meio de uma na crise, caiu no meio do furacão. Literalmente, é um disco que fala do momento no qual ele foi lançado. Foi uma virada de ano tensa, uma piração!

Depois de “La Plata”, veio “Vem Andar Comigo”, que é do estilo do Jota Quest, flores que estão no caminho e tal. Eu já tinha há um tempo, esperando para entrar, entrou neste álbum e bombou.

Agora a gente tá virando a terceira musica “Seis e Trinta”, hojes vocês vão ouvir no show. É uma música, diferente de tudo que a gente já tinha feito, não sabíamos como iria soar. Foi uma votação dos fãs e ela ganhou, está indo bem!

Tocamos em 17 estados em oito meses, que dá mais de 80 apresentações. Norte, Nordeste e Centro Oeste estão atentas e querendo saber mais, até porque a gente não ia muito a esses lugares. A galera está antenada, fazendo perguntas coerentes e procurando saber sobre o disco. É uma molecada esperta e com o release do nosso disco na mãos.

Estamos animados, La Plata está começando a ficar forte e fazendo efeito nas pessoas.

É possível fazer um paralelo entre o J.Quest do Planeta dos Macacos e o Jota Quest do La Plata?

O Jota daqui é o mesmo de lá. Estamos mais velhos, com dor no joelho, dor nas costas, dentes amarelos e cabelos brancos, essas coisas, mas com a mesma idéia de que podemos mudar o mundo, ainda acreditando. É cada dia a mais com a vida batendo na sua cara e dizendo: filho acorda, o sonho acabou. O sonho acabou!

De um lado o utópico que acha que tudo vale, do outro, o desce daí sô. É o cerol que trás a vida prá baixo, lá do Rappa. É meio isso, mas não vamos parar não!

Ontem (04/07) vimos uma parada muito legal, o Biquini Cavadão em ação, entrando no palco as quatro e pouco da manhã encerrando um festival no Piauí com 20.000 pessoas, seis horas da manhã ainda tava todo mundo lá, sacou? O Biquini ta descendo o pau por onde passa, eu já tinha escutado que eles estava assim, agora eu vi. É uma banda com 25 anos de carreira, que foi comendo pelas beiradas. O Bruno tem 42 anos, um batalhador. O Capital está fazendo o mesmo, tem também os Paralamas, é assim, estamos todos mais fortes do que nunca.

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Clique nas figuras para vê-las em uma melhor resolução.

Crédito das fotos: André Rocha

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A terceira edição do Festival de Inverno de Brasília chegou ao fim com muitas novidades e acertos. André Fratti, idealizador do evento, confidenciou-me no início do ano que estava desanimado, e pensando em desistir do projeto. O sorriso largo de André ao final do show do Jota Quest indica que esse pensamento não deve mais passar pela sua cabeça.

A feliz escolha das atrações, resposta do público, apoio público, privado e o formato que parece estar perto do ideal, inclusive em relação à estrutura e localização, mostraram que o FIB está no caminho certo e merece figurar na agenda de eventos anuais a serem realizados na cidade.

A animosidade em relação a algumas atrações é descabida, ainda mais se levando em consideração que um festival não é só para curtir shows, mas também para interação social. O valor de R$ 30,00 por dia para um evento deste porte deve ser considerado, pois geralmente se paga o mesmo ou a maior por uma única atração nos espaços da cidade. Eu defendo o Festival de Inverno desde a sua criação por gostar de sua proposta que é a de misturar gêneros musicais e privilegiar a apresentação de artistas que não tocam em Brasília com freqüência. E justamente por estar desde o início envolvido na divulgação e cobertura, me sinto à vontade para elogiar ou criticar quando for necessário.

OBS.1: O artista do evento foi o Michael Jackson, lembrado por todos os artistas que se apresentaram e presença constante nos telões do FIB nos intervalos e encerramentos.

OBS.2: Os melhores shows em minha opinião foram: Biquini Cavadão, Ultraje a Rigor e Nando Reis.

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Gostaria de agradecer a André Fratti (Vibe Entretenimento) e sua equipe; e, Jaqueline Dias (Tato Marketing) e seu staff. Bem como os artistas e amigos que sempre colaboram no N.R.D.R. de alguma forma na cobertura deste tipo evento.

Como diria o André, nos vemos em 2010!