Sempre existe uma expectativa colossal quando um projeto leva a assinatura de Christopher Nolan, ainda mais quando ele assume roteiro, direção e produção. Com a aguardada estreia de A Odisseia, ele entrega a obra mais ambiciosa de sua carreira, um épico com orçamento estimado em 250 milhões de dólares, cujo investimento se justifica em cada frame. Confesso que a marca de quase três horas de duração causou certa hesitação, mas o ritmo estabelecido é tão envolvente que o tempo simplesmente deixa de ser um problema.

O grande trunfo dessa adaptação da clássica saga de Homero mora na montagem e na escolha de filmar tudo utilizando tecnologia inédita de película IMAX de 70 mm — uma vantagem que, infelizmente, no Brasil não poderá ser aproveitada a contento. A cinematografia de Hoyte van Hoytema captura uma textura visual, um contraste e uma granulação impressionantes em locações reais, passando por países como Marrocos, Grécia, Islândia e Escócia, fugindo do excesso de fundo verde. Como não li a obra original, entrei na sessão despido de amarras literárias. Minha experiência foi ditada exclusivamente pelo que a tela me ofereceu e já adianto que gostei muito: o saldo foi acachapante.

A imersão é brutal, impulsionada pela trilha sonora de Ludwig Göransson e por um design de som que é um espetáculo à parte. Os efeitos sonoros exigem ser apreciados em sua plenitude, batendo forte e com clareza para quem valoriza texturas de áudio e altíssima resolução sonora. Arrisco dizer que o prêmio de Melhor Som no Oscar de 2027 já está garantido.

Para ancorar toda essa escala, o elenco entrega atuações magnéticas. Matt Damon traz um peso imenso ao papel de Odisseu, enquanto estrelas como Zendaya (interpretando Atena), Tom Holland, Anne Hathaway e Robert Pattinson sustentam as nuances de um roteiro complexo e muito bem resolvido. Ao subirem os créditos, o meu veredito foi um só: considerando toda a escala visual, auditiva e narrativa, este é, facilmente, o melhor filme de Christopher Nolan desde O Cavaleiro das Trevas. Um retorno absoluto ao topo. Considero A Odisseia uma experiência envolvente; é cinema em grande escala que traz a esperança por dias melhores nas produções hollywoodianas.

Assumo que gostaria de produzir mais linhas para elogiar o longa-metragem, mas correria o risco de divulgar spoilers, sem falar no fato já mencionado de não ter lido a obra original, o que me priva de debates ou do aprofundamento de alguns temas específicos. O que me resta é indicar A Odisseia, um filme que tem tudo para se tornar um dos clássicos cinematográficos do nosso tempo.

A Odisseia estreia em todos os cinemas nesta quinta-feira (16).