Estreia hoje (23) nos cinemas a cinebiografia Michael, que retrata a fase áurea de Michael Jackson, o maior astro pop de todos os tempos. Confira a seguir a nossa resenha, mas adianto que o resultado me agradou bastante.

Antoine Fuqua é um diretor conhecido por transitar por diversos gêneros, assinando produções de peso como o aclamado Dia de Treinamento (2001) e a franquia de ação O Protetor. Ao adentrar o universo musical assumindo um projeto de tamanha ousadia, o cineasta conseguiu entregar um resultado formidável na referida cinebiografia. A obra retrata aquele que é considerado por alguns como uma figura controversa, mas, para a esmagadora maioria, o maior astro do pop de todos os tempos.

Ao optar por tangenciar certas polêmicas e focar essencialmente na representação artística, Michael certamente atrairá críticas desfavoráveis, possivelmente do mesmo público mais radical que atacou Bohemian Rhapsody (2018). No entanto, é preciso lembrar que adaptações são necessárias para que a narrativa flua na tela da melhor forma possível. A licença poética, afinal, ainda mantém a sua validade no cinema, e concordo com a decisão da produção de desviar de temas puramente sensacionalistas.

Outro destaque absoluto é a direção de arte, de uma beleza ímpar. Ela consegue materializar na tela, com exatidão, a nostalgia das diferentes décadas apresentadas ao longo da trajetória do cantor.

As atuações são outro ponto que merece ser evidenciado. Jaafar Jackson impressiona ao encarnar Michael, enquanto Colman Domingo (Joe Jackson) e Nia Long (Katherine Jackson) entregam performances marcantes interpretando os pais do artista, figuras que desempenharam papéis de extrema complexidade e importância na vida do astro.

Embora não seja um longa-metragem perfeito, a obra acerta com precisão cirúrgica na emoção, agradando fãs do artista. Durante a projeção, é praticamente impossível ficar indiferente ou resistir à vontade de cantar junto a cada sucesso entoado.

Por fim, a produção acerta ao esmiuçar a imensa pressão vivida pelo artista desde a infância, abordando os maus-tratos causados pelo patriarca da família, sem deixar de celebrar o lado luminoso, catártico e genial de sua criação artística.