O mexicano Guillermo del Toro é um daqueles caras que adora uma fantasia. Calma, não estou falando sobre carnaval ou qualquer tipo de fetiche. Quero dizer que o diretor, escritor e produtor ama o gênero que brinca com a ficção, aproveitando-se de elementos como o sobrenatural, a magia, a ciência e por que não o amor? Então! É disso que trata a produção “A Forma da Água”, que estreia nesta quinta-feira (1), em todo o país.

A vida de Elisa Esposito (Sally Hawkins) é intrinsecamente ligada ao cotidiano, seguindo uma rotina entediante, que só não é pior em razão de um pequeno prazer matinal. Amigos? Apenas dois: Giles (Richard Jenkins), o vizinho, e Zelda Fuller (Octavia Spencer), a companheira de trabalho.

Faxineira em uma instalação governamental, Elisa vê uma criatura (Doug Jones) chegar ao laboratório e percebe as coisas mudarem no seu trabalho e na sua vida. Diferentes, ela tem a mudez como deficiência e ele um anfíbio humanoide, particularidades que são deixadas para trás quando o que realmente importa nesta vida é o amor.

Recriando com perfeição a década de 60, durante a guerra fria entre os EUA e URSS, “A Forma da Água” apresenta dois outros personagens que são fundamentais para registrar essa tensão, o militar Richard Strickland (Michael Shannon) e o Dr. Robert Hoffstetler (Michael Stuhlbarg), possibilitando configurar mais um arco na história.

“A Forma da Água” é um filme de fantasia que explora o que há real na vida, seja para o bom ou para o ruim. No roteiro escrito por Guillermo del Toro e Vanessa Taylor, além da ode ao verdadeiro amor, independente das diferenças, sobram críticas para o american way of life, para o racismo, para a infidelidade, como também sobram elogios para qualidades como a amizade, a empatia e etc.

Ao reproduzir com maestria um mix diverso de emoções e sentimentos, nada mais justo que “A Forma da Água” esteja concorrendo a 13 estatuetas na premiação da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas, o famoso Oscar, sendo elas: filme, diretor, atriz (Sally Hawkins), ator coadjuvante (Richard Jenkins), atriz coadjuvante (Octavia Spencer), trilha sonora original, roteiro original, fotografia, figurino, edição de som, mixagem de som, edição e design de produção.

Por enquanto, é o meu filme favorito na corrida do Oscar, nem me preocupa a acusação de plágio da peça “Let Me Hear You Whisper”, de 1969, escrita por Paul Zindel. Apesar da similaridade no argumento, quase cinco décadas separam uma obra da outra, sem falar que não imagino uma mente fértil como a de Del Toro necessitar de um subterfúgio barato e sujo da cópia para conquistar o sucesso.

Poético e tocante, “A Forma da Água” apresenta uma comunicação em outro nível, encapsulando uma história de amor que ensina o valor das diferenças. Emocionante, divertido e indispensável, corra já para o cinema, pois este filme não sai da rota.

Nota 9,2

Confira abaixo a bela trilha sonora composta por Alexandre Desplat e o trailer do filme.

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