Histórico! Inesquecível! Inacreditável! Só quem foi ao show do Iron Maiden na última sexta (20/03) no estádio Mané Garrincha sabe que eu não estou exagerando.
Para quem foi pela primeira vez é um evento único. Este é meu terceiro show, mas a sensação é como se eu estivesse debutando somente agora, tamanha a emoção e o sentimento que causou.
Temos vários exemplos de shows bem produzidos, com excelência na parte técnica (iluminação e som) e sincronia entre artista e público. Mas os shows do Iron são exemplos únicos de extrapolação destes conceitos. Em todos os lugares do mundo, onde a donzela se apresenta a ligação com seus admiradores é única. E com certeza, no Brasil, a relação é ainda mais próxima. É uma legião de fãs muito carismática e apaixonada por tudo o que envolve a banda. Começando pela devoção dos fãs seguindo o grupo desde a sua chegada ao aeroporto, na quinta, continuando pela persistência em frente ao hotel em que estavam hospedados.
Finalizando, dessa forma, com a presença de aproximadamente 25.000 pessoas no mega evento. Um público excelente para nossos padrões brasilienses, e considerando o preço salgado dos ingressos, esta foi a melhor resposta para aqueles que não acreditam que possamos comportar shows desse porte.

Voltemos aos eventos decorridos. Tinha uma grande expectativa em relação ao show, que realmente foi correspondida. Como o maior espetáculo já visto aqui em Brasília, havia ressalvas no quesito organização. Para minha grata surpresa a organização do evento foi um dos fatores mais surpreendentes. Não tivemos problemas com a entrada (estavam muito bem sinalizadas).

Em relação à segurança, foi tudo perfeito, mesmo com a aglomeração de 25.000 pessoas. Se fosse um show de Axé teríamos, com certeza, muitas ocorrências policiais, fato que praticamente não houve. Mais o que me chamou mais atenção foi o horário do início do show. O Maiden entrou no palco às 21h10min, com apenas 10 minutos de atraso em relação ao horário oficial presente no ingresso. Para os britânicos é um atraso, para nós brasileiros, uma honestidade poucas vezes utilizada em outros eventos musicais.
Em suma, fomos realmente tratados como todo cliente e consumidor devem ser tratados, com respeito e seriedade. Só os preços dentro do estádio estavam abusivos, como uma cerveja Sol (Arghh!) custando quatro reais. É o preço que se paga para prestigiarmos o Maiden.

Antes de o Iron entrar no certame, tivemos a ingrata presença da Hanna Montana inglesa: Lauren Harris. Com uma arrogância sem tamanho e músicas que dariam azia até em um copo de Sonrisal, seu show foi totalmente descartável. Duraram eternos 30 minutos. Esperamos mais 30 minutos para o início do grande espetáculo que todos esperavam.

A expectativa era enorme. Quando o relógio marcou 21h10min, as luzes se apagaram e iniciou o clipe nos dois telões ao lado do palco. Ao som de Transylvania eram mostradas imagens da turnê, fãs insandecidos e o Ed Force One nos ares. Welcome to the show!

1.Aces high: até quem não conhece a música (o que é bastante improvável) canta o refrão junto. É hora dos headbengers baterem cabeça. Com o cenário do álbum Powerslave, o público cantando e o céu sem nuvens, eu imaginava os aviões Spitifire sobrevoando o palco. Seriam duas horas inesquecíveis de nossas vidas.

2.Wratchild: Adoro a introdução de baixo do Steve Harris. Foi a única a entrar do álbum Killers no set list do show. Hora de alguém me beliscar para ver se eu não estava sonhando. Olhando no telão percebe-se a capacidade do baterista Nicko Mc Brain de fazer as viradas após o refrão e ao mesmo tempo sorrir para a câmera. Por isso que é considerado o mais divertido da banda.
3.Two minutes to midnight: O primeiro clássico da noite. Esta é cantada desde a arquibancada até a área premium. Só não entendi a roupa utilizada pelo Bruce, que é o figurino utilizado na turnê do Brave New world, já que a temática é do Somewhere in time. Deve estar faltando dinheiro para trocar de roupa.
4. Children of Damned: Esta é pouco conhecida. Bela canção, com o peso certo nas melodias e letra. Boa transição entre um hit e uma balada.
5.Phanton of the opera: Outra que gosto bastante, presente no primeiro álbum. Uma música longa, com uma melodia que quase me fez chorar. Durante os solos, no meio da música, eu observei que Bruce já não demonstrava o desempenho de outrora. Logicamente pela idade e tempo de estrada isto é aceitável, até porque são aproximadamente 100 shows por turnê. Mais ainda é o Mestre Bruce.
6.The tropper: “Scream for me Brasília! Scream for me Brasilia! The troppperrrrrrrr!”.
É assim que Bruce inicia este clássico”. Arrepia ao ouvir TODOS cantando desde o primeiro até o último verso. O cenário de fundo é trocado através de uma espécie de cortina, trocada de acordo com o tema da música. Aqui entra em cena o Eddie, presente na capa do single, empunhando a bandeira da Grã-bretanha. Era a estampa de camisa mais vista em toda a cena. Em um dos momentos mais esperados do show, Bruce Dickinson sobe na parte mais alta do palco, em um nível acima da bateria e balança uma bandeira da Grã-bretanha. Inclusive o Cristiano comentou comigo que algum desinformado falou que não gostou desta atitude do Bruce, que ele deveria pegar a bandeira do Brasil jogada no palco. Se esta pessoa não sabe, a música é justamente sobre a resistência dos ingleses contra os russos. Nada mais coerente que erguer a bandeira inglesa. Fora estes comentários desnecessários, é uma música que levanta até defunto da cova.
7.Wasted years: A baladinha da noite. Dá até para aprender a cantar o refrão na hora. Já que a turnê chama-se Somewhere back in time poderiam colocar outras músicas além desta. Como o set list é seguido rigorosamente, não é possível introduzir outras. Mas esta é muito boa e compensa esta falta das outras canções do álbum.
8.Rime of ancieNegritont mariner: Quem não conheceu a perfeição é só escutar está música. Já havia citado os motivos desta afirmação no post sobre o álbum Powerslave. O impressionante é a capacidade da banda de realizar o mesmo som em estúdio e ao vivo. Com mais de 13 minutos é o momento ideal do show para descansar e apenas admirar o trabalho da banda. Bruce Dickinson demonstra sua capacidade vocal entoando seus agudos durante toda a música. Utiliza também um figurino com um sobretudo que lembra a saga do marujo ancião citado na letra. Uma obra-prima eterna.
9.Powerslave: Voltamos ao ritmo inicial do show. Uma das preferidas do público. Cantada em uníssono na parte “Slave to the power of death…”. A virada da bateria na introdução é o meu destaque da música. No fim viramos escravos do poder que powerslave nos remete.
10.Run to the hills: Os riffs de guitarras iniciais me arrepiam toda vez que eu a escuto. Já passávamos do meio do show e isto me preocupava. Mas não era hora de preocupação e sim de descontração. Passava pela minha cabeça o que ainda estaria por vir.
11.Fear of the dark: Sempre começa com Bruce recitando o nome da música de uma forma sombria. É a única música anos 90 presente na turnê. Talvez o maior hit da banda. É o “Pais e filhos”, e o “Até quando esperar”, e o “Satisfaction” do Maiden. Até a tia do cachorro-quente conhece. Não é por isso que a música perde sua magia, pelo contrário. Se tivesse sido lançada nos anos oitenta veríamos os nostálgicos isqueiros pairando no ar, com labaredas de fogo contrastando com o ambiente sombrio que o instrumental transmite.
12.Hallowed by the name: Sagrado seja o Iron Maiden!! Uma das minhas preferidas por conter uma variação melódica incrível. A introdução, que lembra o badalar de sinos, nos prepara para uma das mais belas composições da banda. Emocionante.
13.Iron Maiden: O ápice do show. Primeiro porque reúne tudo o que o Maiden representa: letra forte, vocal firme e instrumental rápido é reconhecida a quilômetros de distância. Segundo porque esta é a minha preferida neste show. Percebemos que uma música é importante quando ela mexe com a gente. É incrível escutar essa música e lembrar do passado, quando ser headbenger era bater cabeça e cantar do início ao fim toda a letra. Sensacional. Estava me esquecendo. Temos o Eddie também. O querido mascote sempre entra em ação na música que dá nome à banda. O Eddie dessa turnê é aquele com temática futurista-robótica. Com mais de 3 metros de altura ele aponta sua arma para o público e destila rajadas de versos como este: “ Iron Maiden… wants you for dead…” Fantástico!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
14.The number of the beast: A banda sai após tocar Iron Maiden. O público começa a gritar “Maiden, Maiden”. Eles voltam para o bis. E logo invocam o demo com esta música que até os sertanejos de Brasília conhecem como Six, Six, Six. O cenário é um Eddie gigantesco manipulando o diabo. É outra que adoro. Tem algo de mágico, de místico nela. É como se todos tivessem possuídos. Tenebrosooo! Do cenário saem chamas que nos lembram o inferno. Uma música que trouxe toda a fama de satanista ao Maiden. Contudo, é justamente isso que faz deles uma banda única.
15.The evil that men do: A preferida de Bruce. Gosto muito também. O vocal é bem diferente do usual nas outras músicas da turnê. No cenário aparece um Eddie lobotomizado destruindo a Terra para encontrar no centro do planeta seu cérebro que foi retirado no álbum Piece of mind. Uma música especial para o grupo. E para os fãs também.
16.Sanctuary: O fim chegou. É uma canção boa, mas acredito que teriam outras melhores para fechar. Bruce apresenta sir Nicko McBrain na batera, the big boss Steve Harris no baixo, o divertidíssimo Janick Gers, o sério Adam Smith e o carismático Dave Murray nas guitarras. O pessoal pede: “One more song! One more song!”. Infelizmente acabou mesmo.

É hora de fazer um balanço deste que foi, com toda certeza, um dos maiores eventos que Brasília já viu. Com todos os presentes (vinte e cinco mil), servirá de argumento para transformar Brasília na rota dos grandes eventos. E ressaltando: com o show começando no horário, mesmo com o público ainda entrando, serviu de exemplo para mostrar a quem não acreditava que é possível um show iniciar na hora marcada impressa no ingresso. Algo assim apenas se repetirá se incorporarmos em nossa cultura a educação de exigir nossos direitos como cidadãos e consumidores. Espero que venham outras oportunidades como a descrita. A oportunidade de sonhar acordado.

Abraços.
Danilo Duff e Daiane Ramone